quinta-feira, 17 de março de 2011

Platão, Política e Educação aos Governantes

A República pode ser entendida sob o aspecto de constituir uma obra utópica, mas o passado é uma riqueza, que se deve analisar e avaliar quando quer confrontar-se o presente. Platão defendia um estado classista, sendo a classe fundamental os filósofos, esses deveriam governar o estado, sendo assim, defendia um governo do filósofo-rei.

A visão mais propagada e estudada de Platão é que o mais perfeito regime seria o governo absoluto e autocrático do filósofo-rei, ao invés dele ser reconhecido e ser referido como um dos fundadores do regime constitucional, ele passa a ser visto sendo o adversário de qualquer forma de democracia, como também o precursor do totalitarismo contemporâneo, fazendo com que isso seja o maior pretexto de dogma, segundo o qual a filosofia política clássica se diminua do que teria a nos descrever acerca de assunto políticos.

Nas teses de Platão, há comprovantes práticos e políticos, que o filósofo almeja e afirma ser necessária a propriedade comunal, por essa ser inevitável à veracidade e a eficácia política, a ligação do poder econômico e poder político corrompem, ao avaliar as corrupções, conecta a união desses dois poderes, o que se liga ao poder econômico, preocupa-se com seus interesses econômicos, esquece que a sabedoria e o altruísmo são necessários para o bom governo e dirige o poder político para obtenção de vantagens econômicas.

Os governantes devem ser livres de interesses e tendências individualistas, fazendo com que haja concorrência pelo poder e cargos públicos, os que têm interesses coletivos, serão servidores e não seus senhores, sendo assim governantes e governados estão conectados por relações de amizades e reconhecimento mútuo, os inimigos são sempre: o individualismo e o egoísmo.

Lembrando-se da tese de Protágoras. “Os deuses distribuíram as diferentes tarefas da cidade a pessoas diferentes, no entanto, a tarefa da política para todos os homens, e não para algum especialista...”
O que funda uma cidade são nossas necessidades, pois necessitamos uns dos outros, ninguém é auto-suficiente, mas precisa de muita coisa, sobretudo dos outros, pois temos que contar um com o apoio do outro completando a coletividade de uma sociedade.

Platão considera que o bem necessita ser comum, só de tal modo será “bom ser bom”, a essência é o filósofo como governante, baseando-se na Alegoria da Caverna de Platão o Sol, origem da realidade do conhecimento, não chamou a todos: uns nasceram para serem homens de prata, outros para serem homens de bronze e só alguns nasceram para serem homens de ouro, pois Platão tem convicção que a maioria não nasceu para sair da caverna, nem para governar, e continuará na caverna das sombras e das opiniões. Ai está à difícil relação entre verdade e política, entre teoria e prática. Quem vê o Sol, conhece a verdade é sábio, mas precisa voltar à caverna, salvar seus amigos, para realizar o bem na cidade e no mundo, portanto para Platão, poucos cidadãos atenienses podem ser: “o filósofo-rei”.

Na República Platão idealiza um princípio novo de educação, o Estado é uma invenção da mente humana e para remodelá-la é preciso aperfeiçoar a mente dos homens, justiça é habito mental assim só existirá a justiça apropriada quando os cidadãos adquirirem tal hábito e isso só se alcançará pela educação do povo.

Platão defende ainda a equidade dos gêneros para a educação, não diferenciando homens e mulheres, pois a physis feminina tem as mesmas potencialidades da masculina, podendo, pois a mulher ser educada para a vida política. Há alguma coisa mais perfeita para a cidade do que existir nela os melhores homens e mulheres.

Novamente tendo como embasamento a “Alegoria da Caverna”. A maioria da humanidade vive na condição de ignorância, no mundo ilusório, no grau de ansiedade, a representação são imutáveis, não funcionais, com isso não são objetos de conhecimento.
O sujeito educado é instigado a querer uma cidadania perfeita e isso se conquista com a passagem gradativa do senso comum enquanto visão do mundo, para o conhecimento filosófico que é racional, sistemático e organizado. Com a alma iluminada, leve, livre e solta da ignorância e maldade, a educação como superação da ignorância, para libertar o homem da caverna é necessária educação, atingir o inteligível, fazendo se necessário descobrir as tendências de cada alma, colocar treinar, educar cada vez mais, isso desde a infância para aproveitar melhor as potencialidades e competências de cada um, dominar as matemáticas, conduzir o sujeito para a verdade é a filosofia o mais extraordinário de todos os empreendimentos.

A errância é uma batalha entre a luz e as trevas a filosofia conduz o homem no conhecimento do bem daquilo que é o mais soberano e encontra-se na esfera inteligível.

Os filósofos devem ser reis das cidades para a saída dos problemas, e essa solução são únicas e universais, fazendo-se que se encaixem a filosofia e a política, os governantes não podem ser amigos das artes, amarem a “justiça em si” não devem ser amigos da opinião mais sim amigos da sabedoria (filósofos) conhecem a substância (que não é submetida à instabilidade).

Se os homens alcançarem à verdade resolveriam todos os problemas colocando em prática essa verdade ética e politicamente, descobrindo assim o desígnio da ética e política na atividade filosófica, a filosofia aparece surgindo com o desejo de se construir uma cidade humana possível.

Para Platão a ética esta relacionada com a filosofia política, sendo esse o terreno próprio para a vida moral, ele apresenta formas de política, seis formas constitucionais, três formas boas (monarquia, aristocracia e democracia) e três formas más ( democracia, oligarquia e tirania), mas de fato ele considera a melhor forma a aristocracia, confrontando com a virtude que é uma só e o vício vários, sendo assim para ele a forma de estado mais perfeito é a aristocracia, tendo como governante o filósofo-rei.

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